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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

CHLOROPHORUS ANNULARIS- 'O TIGRE DO BAMBU"


O TIGRE DO BAMBU
BAMBOO LONGHORN BEETLE


Nome científico: CHLOROPHORUS ANNULARIS

TAXONOMIA:

Phylum: Arthropoda

Class: Insecta

Order: Coleoptera

Family: Cerambycidae

Subfamily: Cerambycinae

Full Name: Chlorophorus annularis Fabricius

Synonym: Callidium annulare Fabricius (Koon, 1999)

Caloclytus annulare (Koon, 1999)

Common Name: Bamboo tiger longicorn (Shiraki, 1952)

Bamboo longhorn (Hill, 1983)

                                                                         Tigre do Bambu
Desde 2003 tenho convivido( na marra)com estes Cerambicídeos, os quais são insetos predominantemente predadores do bambu.

BREVE HISTÓRICO

O primeiro contato que tive com ele foi quando recebi um lote de bambu originário de uma área próxima do Bambuplatz Garten, no município de Eldorado do Sul,RS. Neste local tinha uma área com muito Phyllostachys aurea que já tinha sido cortada várias vezes e as varas tinham ficado no próprio local sendo recobertas pelo próprio mato e apodrecidas. Esta área seria novamente limpa, para ser ocupada por uma criação de gado e outros animais e deveria ser limpa rapidamente. Para aproveitar as varas, tão logo foi feito o corte das novas varas todo o material foi transportado para o meu sitio. Juntamente com as varas verdes foram levadas muitas das colhidas antes, que já estavam secas e que estavam íntegras(aparentemente).
                                 












Transporte das varas para fora do mato











Varas secas que estavam na floresta e verdes recém colhidas Varas aparadas para estoque sem o tratamento




Todo o material foi colhido meio às pressas e foi levado para a minha área. Na época eu não tinha estrutura para poder colocar os bambus em local protegido e muito menos tinha experiência em protegê-los dos ataques de insetos xilófagos. Até então eu havia apenas me deparado com o Dinoderus e Lyctus e já tinha um certo domínio sobre eles. O tratamento e proteção que dei neste material, no entanto, não foi suficiente para que outros insetos ali se instalassem.
Passado algum tempo( 6 meses) comecei a observar a presença de alguns orifícios nas varas em depósito, com o diâmetro aproximado de 5mm, e de uma poeira que se acumulava nas varas e no chão.
 
Tão logo comecei a colher um lote de Bambusa vulgaris em jun/2004 dei início ao tratamento com Óleo diesel+Cipermetrina 1% por pulverização, para proteger o material que era recém colhido do ataque dos Dinoderus(que vinham voando não sei de onde e pousavam nos bambus). Daí em diante os Tigres começaram a migrar também para os B.vulgaris.  Como não costumo utilizar tratamento pesado nas varas em estoque comecei a desenvolver um método que pelo menos evitasse a propagação destes dois tipos de insetos em todo o material.
 Não consegui definir a origem dos Tigres, pois poderiam ter vindo nos lotes de P.aurea mais antigos que estavam colhidos e não estavam tratados ou se vieram juntamente com a colheita dos Bambusa vulgaris que foi feita logo após.
  Estoque de varas na rua - Local de fácil acesso ao desenvolvimento dos Tigres.- Nestes locais de nada adianta a pulverização da mistura abaixo citada.
A pulverização da mistura de Óleo diesel+ Cipermetrina 1%, 3:1 quando o bambu está recém colhido, resolveu a questão e terminou com os Dinoderus e Lictus, pois com o produto aplicado nas extremidades e nos pontos de cortes de galhos, onde eles fazem a postura, dificilmente as larvas iriam se desenvolver e penetrar e, caso já estivessem instaladas dentro do colmo, pouco provavelmente sobreviveriam ao sair e terem contato com o produto pulverizado.



FATOS E FOTOS

Não é minha pretensão escrever um tratado técnico sobre este inseto, principalmente pelo fato de que não disponho dos elementos científicos de entomologia na minha formação como bioquímico, e por não dispor de apoio técnico necessário, pois este inseto não é muito estudado aqui no Brasil pelo seu baixo interesse econômico. Afinal, eles só “atacam bambus”! Se eles atacassem pinus, acácias ou eucaliptos talvez lhes dessem mais atenção, pois certamente iria ter quem financiasse estes estudos.
 
 Um inseto já formado aguardando para sair de dentro do bambu logo após sua transformação em inseto adulto. Os tigres não mais retornam a sua loja de formação após sairem para o exterior do colmo.
Existe literatura no mundo todo, que pode ser facilmente localizada no Google. Inclusive,  se ali forem solicitadas  as imagens deste inseto,  fotos muito mais atraentes do que as que divulgo neste blog estarão disponíveis.

O QUE ELES ESTÃO FAZENDO... E ALGUMAS COISAS QUE ELES FAZEM...

Embora eu desconheça alguns detalhes de sua maneira de agir, de se reproduzir e dar continuidade ao seu ciclo de vida pude fazer algumas constatações estudando-os durante estes quase 10 anos de convivência.
Como citei antes não sabemos muito bem como eles colocam seus ovos mas se percebe que sempre que existe um corte ou uma raspa ou um desgalhamento este local serve como porta de entrada para postura, como é normal para uma série de insetos. Colocam os ovos em local abrigado dos predadores de forma que, ao eclodirem, as larvas possam rapidamente adentrarem para os tecidos da madeira e passarem a se alimentar dali.
 

Depois que as larvas vão se desenvolvendo e ficando mais vigorosas as brocas começam a fazer um movimento vigoroso que é capaz de ser ouvido pelo lado de fora da vara, mesmo sem encostar o ouvido. Se pode verificar uma vara infestada por brocas do tigre se colocarmos o ouvido em uma das extremidades da vara. Algumas vezes em um local silencioso se pode escutar um tac...tac...tac... das brocas fazendo o movimento de raspar o material do parênquima intermediário da parede do bambu(no terceiro terço de fora para dentro) que é a parte mais macia e mais rica em amido.

Dimensões: Chegam a medir 2 cm de comprimento por aproximadamente 3 mm de diâmetro






 


















ASSISTA O VIDEO NO YOUTUBE

Para acessar o nosso video de uma larva do Tigre do Bambu executando movimento pulsantes(que fazem o ruido dentro do colmo), alimentando-se e excretando aquele material que se pode ver nas fotos, o qual ela vai deixando no seu rastro:
Clicar em:
http://www.youtube.com/watch?v=2WKSD2Y8cqY&feature=player_detailpage

 













O ruído que elas fazem é um convite aos Pica-Paus que localizam com precisão o ponto em que está a broca e a captura.



Então, passamos a ter 2 problemas:
A broca que destrói o bambu por dentro
e o Pica-Pau que o destrói por fora!

 Acima se pode ver a massa densa de material excretado que vai se acumulando no canal deixado pela larva. Abertura do canal durante a fase de crescimento da broca
 
Abertura em redor dos septos

  Acima se pode ter uma idéia do que algumas poucas larvas são capazes de fazer em uma estrutura de bambu

  UM POUCO SOBRE O PREDADOR
Por enquanto somente conheço um predador- O Pica Pau - No Bambuplatz temos 3 tipos e todos da mesma forma atuam nos bambus secos.
Se o Pica Pau não localizar a larva ela continua se alimentando, percorrendo a vara em todas as direções sempre mantendo a estrutura interna do bambu integra, sem perfurá-lo para dentro. As larvas preferem se localizar perto dos nós, pois elas corroem em primeira instância todo o material interno dos septos, ficando somente a casca interna. Talvez isto seja também um mecanismo de proteção pois neste ponto o bambu é mais duro e no septo os predadores não tem acesso fácil - Tenho observado no meu estoque que as varas furadas pelo Pica Pau estão rompidas na parte mais distante do nós.

                                                                 Vara furada pelo Pica Pau

A broca quando instalada em sua loja de perfuração dificilmente é acessada por outros predadores mas são suscetíveis ao ataque de fungos ou outros micro organismos.

AGENTES EXTERNOS

O frio do Rio Grande do Sul, que pode chegar a -5 graus Centígrados no inverno e também a geada, parecem não influenciar significativamente no desenvolvimento das larvas, porém o calor de mais de 34 graus por período prolongado e a exposição das varas ao sol a destroem.
Também não se desenvolvem em colmos caídos em local muito molhado. Esta é uma das razões que se deve encharcar os colmos colhidos,  mantendo-os por algum tempo dentro de reservatórios, rios ou lagoas.

FOTOS DE SITUAÇÕES E MATERIAIS ONDE FORAM ENCONTRADAS ALGUMAS LARVAS
 




Larvas encontradas em apenas 20 cm de Arundo donax
 

 

Depois de estabilizarem seu ciclo elas se transformam e pupas com a formação dos membros(6) e formação do corpo semelhante ao da forma alada.













 
Pupa do c. annularis no P.aurea


 
 As 3 fases - Larva- Pupa e Inseto adulto

Comparativo do tamanho de uma larva e o inseto alado 
A forma alada adulta com as cores vai ganhando configuração e cores até que chega o momento de migrar para o exterior do colmo para dar continuidade ao ciclo. O que normalmente ocorre na primavera e se extende por todo o verão. Uma larva, segundo algumas literaturas pode ficar até 2 anos dentro de um colmo de bambu.

Os adultos depois que saem pelo orifício de saída não mais retornam aquele ponto mas se mantem na vara de onde emergiu e nas imediações ou varas ao lado dela provavelmente para executar ruma nova postura.


Segundo alguns trabalhos publicados sobre este inseto a vida alada é razoavelmente curta (alguns meses), pois seus predadores são pássaros e apesar de alados não executam voos longos e são um tanto lerdos quando estão pousados em alguma superfície(pelo menos os meus!).

Todas estas constatações foram obtidas empiricamente, utilizando alguns viveiros que construí com o objetivo de conhecer melhor este inseto para poder entender como conviver com ele.





 Todo este material foi preservado nestes viveiros. Em alguns casos serviram de incubadoras para postura e eclosão dos ovos.
 
Uma vez que já havia esgotado a capacidade de poder estudá-lo mais profundamente, cedi o material e os insetos para o Depto. de Entomologia da Fundação Zoobotânica, que opera junto com o Jardim Botânico em Porto Alegre/RS. Desde então não tive oportunidade de saber mais sobre o que aconteceu com eles.
   O QUE FAZER ENQUANTO ISSO...

Sempre tenho dito aos meus amigos do bambu que o pior inimigo do bambuzeiro é ele mesmo por ter pena de colocar pedaços de bambu fora (aqueles que sobram dos recortes de alguns trabalhos).
Outro ponto vulnerável é o estoque em local aberto
.Mesmo estando em local coberto o material dá acesso ao Tigres Estoque de varas protegido


 
 Estou preparando um local fechado, de forma que eu possa colocar as varas recém colhidas que estão secando, de forma que não fiquem totalmente expostas enquanto secam ou enquanto aguardam para serem entregues. Estou começando um estudo para utilizar sacos de ráfia abertos, enrolando os feixes de bambu como uma manta. Esta sacaria é de baixo custo e a manta pode ser feita com sacos usados abertos na costura, com a vantagem de poder ser reutilizada por repetidas vezes. Desta forma o Tigre não consegue colocar seus ovos sobre o bambu.

Depois da vara seca e tratada pelo calor os feixes de varas poderão ser destinados para a comercialização e a manta de proteção pode ser retirada, pois já está potencialmente reduzida a possibilidade de serem atacadas pelos insetos, uma vez que, com o tratamento, a oferta de alimento disponível já estará radicalmente reduzida no material. Caso necessário os feixes poderão ser remetidos embalados.
Não costumo utilizar venenos no Bambuplatz Garten onde está disposta a minha coleção de mais de 60 espécies diferentes de bambus. Utilizo alguns produtos específicos, com aplicação localizada, quando preciso controlar algum parasita(principalmente certos mealybugs), mas sem pulverização generalizada, pois quando mato os parasitas posso também estar matando os seus predadores... e aí, perco o controle!
Situações onde foram constatados estragos
 




























No Bambusa vulgaris e no Guadua trinii com dezenas de furos

 
Dentre as espécies mais comuns que dispomos aqui no Brasil já tive oportunidade de ver estragos feitos pelo Tigre em estruturas feitas com diversos tipos de bambus. Preferencialmente eles agem nos B.vulgaris devido ao teor de amido, porém já contatei sua presença em P.aurea como viram acima, nos Guaduas e também no Moso(Phyllostachys pubescens)

 Acho que estas informações somadas a outras tantas disponíveis na web, e muito mais técnicas do que as minhas, poderão contribuir para os bambuzeiros "aprender a conviver" com o Tigre do Bambu sem causar traumas ambientais e/ou sentimento de culpa!. Principalmente sem saber que consequência teria a extinção deste inseto em uma determinada área.

Antes de finalizar este relato esclareço que o enfoque principal da minha atividade com o bambu é manter minha coleção de espécies de bambus e ampliá-la, bem como reproduzir mudas a partir destas matrizes para outros colecionadores e interessados. As varas de bambus resultantes da manutenção desta coleção são colhidas e colocadas a venda. Para isto foi necessário estudar e conhecer sobre estes insetos predadores e como conviver com eles.
 Sempre que possível não os mato. Apenas os mantenho distanciados dos meus bambus!
         Afinal, ele é um dos mais bonitos Cerambicídeos e está apenas garantindo a sobrevivência da sua espécie!

Convido aos que lerem este post e tiverem comentários e correções que possam ser feitas, que  façam através deste blog. Serão dados os créditos aos que contribuírem pela melhoria da qualidade da informação que, com este artigo, pretendo passar aos interessados. 
Fotos adicionadas depois da edição:
Em 19/02/2019
O material depois de ter sido totalmente destruído pelas brocas se desmanchando como se fosse palha sêca.
 

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

MENSAGEM PARA 2013

Aos amigos no nosso Blog e a todos os que curtem o bambu e estas coisas surpreendentes que a natureza nos proporciona todos os dias...

To all friends of our Blog and all who enjoy those amazing things that the nature show us all the time...

Antes de divulgar esta foto eu havia preparado esta outra de igual teor e não menos importante que não fosse mostrada para vocês...

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Geada fora de época é fatal para o bambu!

Conseguimos sobreviver, aqui no RS, de uma estiagem prolongada desde novembro de 2011, por quase 5 meses, sem deixar nenhum dos bambus perder nenhuma folha. Segurança esta provida pelos lagos que supriram a água (além de algumas chuvas esporádicas e ralas) por durante estes meses, até  final de maio/12. As brotações, por falta de umidade e pelo intenso verão atrasaram e, os Bambusas e Dendrocalamus que normalmente brotam em janeiro/fevereiro, iniciaram a brotação em final de março e abril.
Estava configurado que os brotos ainda não estariam galhados no início do inverno.
E foi o que aconteceu!..
Tenho sempre ressaltado que, aqui no sul do Brasil, certos tipos de bambu precisam estar colocados em locais protegidos. Neste caso, em específico, a geada veio repentinamente e não deu tempo de fazer nenhuma proteção nas plantas menores. Mesmo estando em área protegida por outras árvores, os bambus gigantes, cujos brotos estavam despontando aos 15 m de altura foram os primeiros a congelar.
Como mostrei em outra postagem anterior , somente em 2009 havia tido uma geada deste porte, que dizimou com um lote de 7 touceiras de Dendrocalamus asper as quais até hoje não se recuperaram. Estas estão mostradas na foto abaixo (1) ao lado dos B.vulgaris vittata e uma vista do gelo que permanecia ainda no dia seguinte ao amanhecer.


Abaixo esta uma foto comparativa, da mesma área do Bambuplatz Garten onde esta disposta a minha coleção de 52 espécies de bambu, as quais estão colocadas em diferentes posições. A maioria delas não foram atingidas pelo congelamento por estarem protegidas, ou também por serem resistentes a baixas temperaturas como é o caso dos Bambusa oldhamii, os Phyllostachys em geral e outros.


Mas o inverno não chegou ainda... Agora, como diz o ditado: Casa arrombada: Tranca de ferro!
Algumas das mudas pequenas, que estão com até 2 m de altura ou pouco mais, estão sendo cercadas com tela e envolvidas por um filme plástico, formamdo om cilindro de proteção que evitará o contato direto com o vento na tentativa de reduzir o congelamento.






Ao lado está uma das mudas de Bambusa ventricosa que foi parcialmente queimada nesta geada de jun-12 perdendo seu primeiro broto que estava despontando com mais de 1,5 m de altura.








Na foto abaixo uma touceira de 1 ano de Bambusa lako com 3 m de altura envolvida em tela metálica com 2 m de circunferência e filme plástico





Ainda faltam algumas mudas a serem protegidas. Quando o inverno terminar faço um balanço do resultado final.








Enquanto isto os Phyllostachys pegam força para voltarem em setembro com toda a energia!
Os Bambusas e Dendrocalamus só em fevereiro novamente. É a natureza fazendo seu trabalho regulador!
Afinal, os microorganismos e insetos, que vivem das folhas que caem e dos colmos que morreram, tem que sobreviver!

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

DENDROCALAMUS ASPER & DENDROCALAMUS GIGANTEUS

Disponibilizo abaixo o conteudo de um estudo comparativo entre as duas espécies, aos interessados em conhecer as diferenças visuais entre o Dendrocalamus asper e o Dendrocalamus giganteus, ambos conhecidos popularmente como Bambu gigante.




DENDROCALAMUS ASPER E DENDROCALAMUS GIGANTEUS
Relatório comparativo entre as duas espécies
                                    Por José Ene  - Colecionador e produtor de mudas de bambu
Abaixo faço um breve relato sobre uma dúvida em relação a diferenciação e identificação entre duas espécies de Dendrocalamus que eu tenho em minha coleção de Bambus.
                                                                                                                Histórico
“Há alguns anos (em 2002) adquiri um lote de mudas de Dendrocalamus giganteus que vieram da produção da Universidade de Bauru/SP. Após algum tempo, quando saíram os primeiros brotos e vieram os colmos, tirei algumas fotos e as mandei para o Mark Meckes(ainda vivo nessa época), o qual me auxiliava a reduzir e nomear as minhas fotos para colocá-las em seu site (www.bamboocraft.net). Ao examinar estas fotos o Mark me contatou dizendo que as fotos estariam com o nome trocado, pois as fotos se tratavam de D. asper e não D.giganteus (em anexo me remeteu fotos de outros bambuzeiros experientes do Grupo bamboocraft  www.bamboocraft.net ,  como sendo do D.asper). Nesta mesma época contatei com o Prof. Marco Pereira e coloquei a ele a observação do Mark. O prof.Marco me respondeu citando que as mudas eram de D.giganteus, pois assim ele teria recebido as matrizes que deram origem as minhas mudas e comentou,  que na época, havia tentado reproduzir o D.asper sem sucesso, se não me engano por razões climáticas.
Portanto, as mudas que recebi  e que outro bambuzeiro de Viamão/RS, o Moisés, também recebeu, no mesmo lote, se tratavam de D.giganteus. Assim, naquela oportunidade confirmei para o Mark o qual, embora ainda com a dúvida, postou em seu site as minhas fotos com o nome que eu havia lhe passado - Dendrocalamus giganteus. Nesta  mesma época  ele me remeteu algumas fotos e links de D.giganteus com colmos verdes e lisos(semelhantes na textura com o D.latiflorus) e outras fotos de D.asper com textura áspera e amarronzada. Como eu dispunha em minha coleção as duas espécies poderia verificar “ïn loco” as diferenças apontadas pelo Mark Meckes.
Neste meio tempo tive a oportunidade de visitar o Prof.Marco Pereira na Universidade de Bauru de onde vieram as minhas primeiras mudas e também o Instituto Jatobás em Pardinho/SP de onde havia adquirido outras mudas com o David Escaquete que participara de um Curso sobre bambus em Santa Rosa,SC para onde havia levado um lote de mudas de várias espécies para venda. Nesta oportunidade dentre outras espécies adquiri mais algumas mudas de Dendrocalamus asper (com o nome de D.giganteus).
Passados 2 anos visitando o Mark em Austin,TX ele me conseguiu o contato e uma visita com o Michael Richards em New Iberia na Louisiana (www.liveoakgardens.com).  O Mike, como é chamado, é um aficcionado colecionador, produtor de mudas e um dos maiores revendedores de bambu do sul dos USA. Ele e seu filho(que morou mais de 1 ano na Ásia)que também conhece estas espécies, me mostraram dezenas de touceiras e mudas de D.giganteus e D.asper – Os D. giganteus com colmos verdes e lisos e os D.asper ásperos e amarronzados. - Então a dúvida apontada anteriormente pelo Mark Meckes continuou aumentando e aguçando minha curiosidade. Passei então a estudar estas diferenças entre as duas espécies e procurar dados que pudessem me dar a certeza de que as espécies das minha coleção estivessem devidamente identificadas com o nome correto, ainda mais que eu estava desenvolvendo mudas e as repassando a outros colecionadores e interessados.
Em Fev de 2010 estive visitando outro colecionador do mesmo perfil do Michael Richard no norte de Miami,  o Robert Saporito(www.tropicalbamboo.com) o qual  dispõe de  uma variedade de aprox. 150 espécies em sua coleção, dentre elas o D. giganteus com  colmos verdes e lisos e o D. asper,  ásperos e amarronzados.Nesta oportunidade obtive muitas fotos das duas espécies. O mesmo ocorreu nas vistas a outro colecionador em Tampa,Fl  e também, para complementar o levantamento fotográfico na visita ao Fairchild Tropical Botanic Garden- Coral Gables/Fl onde as duas espécies estão lado a lado devidamente identificadas. A partir destas comprovações ficava muito claro que o Mark Meckes estava certo e os meus bambus eram Dendrocalamus asper e não D.giganteus.
O desenvolvimento do relatório que se segue está baseado nestes depoimentos citados e nos levantamentos fotográficos obtidos nestes sítios visitados.
 EM JUNHO/2010
DENDROCALAMUS ASPER  E DENDROCALAMUS GIGANTEUS
LEVANTAMENTO FOTOGRÁFICO COMPARATIVO ENTRE AS DUAS ESPÉCIES
1-Broto de Dendrocalamus asperBrotação
2010 – Coleção  Agrobambu 
                              

















 











2-Broto de Dendrocalamus giganteus - Foto
remetida por por J.Roy Rogers/Tampa em http://www.bambooweb.com/


3-Colmo novo de D.asper - Na Agrobambu

  
4-D.giganteus – No Fairchild 





        
                                                                    
                                                                5-Colmos de D.asper porção basal- 
                  

















6-Colmos de D.giganteus  porção   basal - NaTropical Bamboo                                                
    
                                        
7 - D.asper - Textura áspera com tonalidade marrom ou dourada
semelhante a uma penugem 
                    
 





8-D.giganteus - Textura lisa ao toque  e tonalidade verde acinzentada e com leve brilho
9-D.asper - Na Tropical Bamboo
                                            
10-D.giganteus no Fairchild



11-D.asper -
11-a No Fairchild Botanic Garden


                                     11-b – Na coleção Agrobambu
                    

12 - Dendrocalamus giganteus
12-A-No Fairchild Tropical Botanic Garden



12-b - D.giganteus- Na Tropical Bamboo


D.giganteus no Fairchild Tropical Botanic Garden – Coral Gables/Fl
COMENTÁRIOS SOBRE OS LEVANTAMENTOS FOTOGRÁFICOS
OBJETIVO –
Este estudo comparativo tem o objetivo de orientar os admiradores das espécies confrontadas e através destas características básicas poderem distinguir ambas as plantas.
Deve-se, entretanto levar em consideração outras informações, como procedência da planta, fornecedores, clones, etc... É imprescindível obter junto ao fornecedor os dados de origem da
 planta para poder identificar os subseqüentes clones/mudas que poderão ser obtidos desta planta no futuro.
OBSERVANDO PLANTAS ADULTAS
É sempre útil obter o roteiro de origem da planta em caso de aquisição de mudas. Estas duas espécies e outras do mesmo gênero, enquanto jovens, apresentam quase a mesma configuração sendo quase impossível sua identificação a não ser por métodos taxonômicos específicos e orientados por botânicos experimentados.  As características taxonômicas que as diferem estão nas folhas, nas bainhas caulinares, nas ramificações, nas texturas e tonalidades dos colmos, nos brotos e outras formas e depois nos colmos em suas formas adultas. Como este estudo se refere a plantas adultas pudemos verificar, pelo contato com produtores e colecionadores experimentados, que as diferenças demonstradas são bem definidas. Dendrocalamus giganteus com colmos lisos no primeiro terço, verde claro com textura suave. D.asper com colmos ásperos (como o próprio nome sugere) cobertos com penugem dourada/amarronzada.
No depoimento com o Sr. Michael Richards (New Iberia/LA), obtivemos os primeiros sinais das diferenças entre os colmos ásperos e lisos do D.asper e dos D.giganteus, respectivamente. Nesta ocasião (2007) verificamos em sua coleção muitas mudas de D. giganteus plantadas em potes para entrega ao mercado. Todas tinham a configuração citada no descritivo acima.-
COMPARANDO AS FOTOS
Em  Fev de 2010 ao visitar a coleção do Sr. Robert Saporito em sua propriedade em West Palm Beach, FL (http://www.tropicalbamboo.com) obtivemos as fotos numeradas de 4,5,6,8,9 e algumas no bloco 12. Quando tivemos oportunidade de ouvir o seu depoimento de que os Dendrocalamus  latiflorus e giganteus são lisos menos o Dendrocalamus asper que é áspero como o próprio nome sugere.
Ainda em busca de mais fotos vistamos em maio/2010 em Tampa,FL outro colecionador e produtor de mudas de bambu o Sr.J.Roy Rogers, o qual dispunha  de uma touceira antiga de D.asper em sua coleção. Este bambu apesar de ter a coloração toda verde trata-se do D. asper, pois estes colmos quando muito antigos ficam cobertos pelo musgo porém a  textura ao toque destes colmos fica um pouco áspera também. O colecionador não dispunha de nenhuma espécie de D.giganteus em sua coleção .
No mesmo período fui visitar a coleção de Bambus do Fairchild Tropical Botanic Garden em Coral Gables,FL, ao sul de Miami . Procurando as espécies identificadas pelos botânicos do local e pela American Bamboo Society como sendo D.giganteus(fotos 4 ,10 e 12)
Como complemento, disponho de uma série de fotos de bambus da minha coleção. As fotos obtidas na minha propriedade estão nominadas como  Agrobambu CF&T e são todas do D.asper.
Para complementar este relato é conveniente observar que, em todas as visitações a grandes touceiras de bambu no sul e centro do Brasil, que me apresentaram como sendo de Dendrocalamus giganteus constatei se  tratar de Dendrocalamus asper, donde concluí que esta espécie não é comum aqui nesta região e que, por ser popularmente chamada de “Bambu gigante, leva a conclusão errônea de que se trata de D.giganteus.
OBS.:Esta conclusão é baseada em depoimentos e dados empíricos, obtidos pelo autor deste relatório.

Elaborado por José Ene – Agrobambu CF&T– Eldorado do Sul,RS –
Atualizado em out/2010
 http://www.bamboofount.com.br

COMPLEMENTO SOBRE OS LEVANTAMENTOS FOTOGRÁFICOS COM NOVAS FOTOS
OBTIDAS EM OUTROS LOCAIS EM 2011

Em maio de 2011 tive outra oportunidade de atestar e confirmar as minhas pesquisas sobre estas espécies. Ao visitar o Ralph Evans ( www.bambooheadquarters.com ), colecionador e outro grande produtor de mudas de bambu nos USA, e sua coleção em Vista,CA, próximo a San Diego. Nesta ocasião consegui obter alguns depoimentos em vídeo e outra série de fotografias que muito bem detalham o Dendrocalamus asper e o Dendrocalamus giganteus pois ele dispunha de várias grandes touceiras das duas espécies que lhe serviam de matrizes para obter as suas mudas.




1-UMA DAS TOUCEIRAS  DE DENDROCALAMUS ASPER DO RALPH EVANS 
           



                                                
















 2-TOUCEIRA DE DENDROCALAMUS GIGANTEUS-RALPH EVANS
                                                
                                                
 












3 Detalhe de Dendrocalamus giganteus no Bambooheadquaters



FOTOS OBTIDA NO QUAIL BOTANIC GARDENS EM SAN DIEGO,CA-2011

CURIOSIDADE:

1-  TOUCEIRA DE D.GIGANTEUS EM INFLORESCÊNCIA
Segundo informações obtidas no local o fato de haver processo de inflorescência nesta touceira não corria o risco de morrer, porque o tipo de inflorescência não apresentava  sementes (todas as sementes eram secas-só a palha). Não estou certo de que isto seja realmente verdadeiro.
















COMENTÁRIOS FINAIS

Estes relatos, como antes citado, não estão embasados em fundamentos taxonômicos das duas espécies, apenas em depoimentos e constatações obtidas através de pessoas experientes que foram colaborativas desde o início destes levantamentos, os quais se iniciaram em 2002, ou seja, há quase 10 anos atrás.
Em 2009/2010 tive a oportunidade de levar este tema para conhecimento da comunidade bambuzeira através do Grupo Agabambu e veiculado nos Grupos Bambu-brasil e Grupo BambuSC.
Os relatórios, devido as suas dimensões, não foram anexados nos mails dos Grupos, porém foram remetidos a diversos interessados participantes dos Grupos na época.
No final de 2011 estive novamente visitando o Robert Saporito na sua Tropical Bamboo e novamente abordamos o tema e obtivemos novas fotos e vídeos para corroborar o que havia divulgado. Como disponho de mais de uma centena de fotos, vídeos e depoimentos sobre o assunto é impossível anexar todo este material neste relato. Poderemos no futuro ir ampliando este conteúdo de forma que ele possa complementar algum trabalho de pesquisa. A medida que for obtendo outros novos dados iremos atualizar este conteúdo.

Atualizado em jan/2012
JOSÉ ENE – AGROBAMBU-CF&T –
            http://agrobambu.blogspot.com/