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domingo, 4 de março de 2018

BAMBUSA LAKO EM NASSAU

BAMBUSA LAKO EM NASSAU, BAHAMAS

Em uma viagem de cruzeiro a Nassau tive  oportunidade de visitar o Palácio do Goveno do local e tive uma grata surpresa: ... uma plantação de dezenas de touceiras de bambus da espécie Bambusa lako.

Nesta ocasião, maravilhado com aquilo tudo tirei muitas fotos, pois justamente nesta época estava ás voltas com a identificação de uma das espécies de bambu da minha coleção que me foi doada por outro colecionador com esta identidade.



Como se pode observar este bambu, quando os colmos são jovens, tem a coloração verde como outros de sua espécie. Assim permanece até uma certa fase de maturidade dos colmos, que começam a se tornar cada vez mais escuros até atingirem a sua coloração característica de tom chocolate, quase pretos.
Nesta ocasião não consegui nenhum relato com o pessoal do local, com quem conversei, que soubesse me dar informações sobre a origem daqueles bambus e como ou porque eles vieram parar ali, dentre mais outras centenas de plantas de outros locais do planeta e mais alguma nativas da região. 





Me limitei em fotografar para estabelecer os comparativos que precisava, para o confronto com as minhas espécies no sentido de saber se o que eu tinha na coleção do Bambuplatz Garten se tratava de B. lako ou não. As minhas ainda eram pequenas e ainda não tinha colmos maduros para atingirem a coloração escura característica da espécie.

 Depois que retornei para o Brasil fiz contato com a administração do Palácio do Governo e fui direcionado para o Secretário da agricultura. Fiz uma consulta explicando os motivos e remeti  de maneira formal as minhas perguntas com relação a procedência e motivos de lá estarem aqueles bambus... Ainda estou esperando a resposta.




Dois anos  depois, em Fev de 2017, voltei ao local e colhi mais fotos com mais detalhes, Nesta ocasião as ilhas tinham sido atingidas em cheio por um dos maiores furacões que já haviam apor ali e o jardim apesar de um pouco desfalcado estava sendo mantido(pelos presidiários)- Se pode observar um deles com um roupa listrada de preto e branco próximo do guindaste na foto abaixo. 










Alguns colmos na fase da mudança de cor








 

Brotos inconfundíveis da espécie Bambusa


 Abaixo um conjunto de fotos de mais detalhes de colmos, ramificações e folhagens para ajudar na identificação da espécie.








Dois anos e meio se passaram desde minha primeira visita e coleta das fotos em Nassau. Voltei lá mais duas vezes. O suficiente para obter algumas das fotos deste artigo e mais umas outras tantas.
As fotos foram úteis para fazer os comparativos que precisava para ter hoje a certeza de que o que eu tinha não era Bambusa lako, pois até hoje o bambu( que tem a mesma conformação deste) não escureceu e ainda que tenha posto colmos de maior diâmetro que estes não correspondem a ID que me remeteram originalmente.
Continuo com a curiosidade de saber a história destes bambus lá na ilha. Se algum dos leitores deste artigo puder colaborar com alguma informação neste sentido será bem recebida e divulgada aqui, com os créditos necessários.


quarta-feira, 3 de maio de 2017

SERRADORES DE BAMBU

SERRADOR
Adicionar legenda














Rhinastus sternicornis
 Oncideres dejeani


Rhinastus sternicornis

Para uma melhor compreensão deste artigo sugiro, aos meus amigos deste blog, que acessem inicialmente artigo divulgado anteriormente aqui no meu blog, intitulado "QUEM CORTOU OS MEUS BAMBUS" - Neste artigo descrevo os nuances de uma batalha incessante, no sentido de procurar preservar a minha coleção de BAMBUS intacta, diante deste voraz inseto intitulado com o codinome de "Serrador".

Na realidade se trata de mais do que uma espécie de inseto mas que, praticamente, agem de uma mesma maneira.

A finalidade deste novo post é ratificar que a forma mais efetiva de minimizar os estragos feitos pelo serrador nas florestas de bambu é o da coleta das varas cortadas e sua destruição.

Por se tratar de um inseto de hábitos noturnos é muito difícil a sua localização e/ou captura, que talvez seja possível através de iscas e armadilhas apropriadas para insetos deste tipo de comportamento.

Como muitas vezes o produto final dos bambuzais é o de produção de brotos comestíveis o uso de venenos iria provocar alguma reação na comercialização dos brotos(por mais inócuos que sejam à saúde humana)  uma vez que o bambu carrega consigo esta atmosfera de alimento puro e saudável. Somado a este fato, a utilização de venenos não é recomendada em nenhuma das circunstâncias que possam prejudicar o meio ambiente e as pessoas que trabalham e moram nas cercanias destes bambuzais.
                                                                Modo de operação e Ciclo

1 - Cortam varas novas ainda verdes com diâmetros variados não excedendo aos 4 cm(preferencialmente varas jovens com poucos dias de vida)



Os conhecidos e capturados aqui na minha área são o Oncideres dejeani e o Rhinastus sternicornis
Para não ser repetitivo com relação ao meu post anterior vamos pular a parte descritiva e postar uma série de fotos onde aparecem os cortes e as posturas bem como a larva em desenvolvimento.


2 - Fazem pequenos orifícios na posição mediana do entrenó





 





3 - Executam a postura do ovo neste pequeno orifício
4 - O ovo ali permanece e eclodindo forma uma pequena larva
5 - A larva se desenvolve e se torna um inseto adulto que recomeça o ciclo
 





 

           PROCEDIMENTO PARA  CONTROLE, EXPURGO E COLETA DAS VARAS NO BAMBUZAL

Segue abaixo o procedimento de coleta e como fazer o expurgo das varas para que as larvas venham a ser eliminadas.
ASSISTA O VIDEO:

Queimar as varas e ou moer são os meios mais fáceis, porém estes métodos nem sempre são possíveis no momento da caminhada e da coleta dentro do bambuzal(mesmo porque fogo dentro do bambuzal não dá nem para pensar!!)
Munido de um bom podão e serrinha deve-se proceder uma recorrida dentro das touceiras e recolher as varas. No próprio local se faz o corte dos bambus logo após o nó e antes dele de forma que o canudo fique aberto nas duas extremidades. Desta forma a larva ficará exposta aos seus predadores e a própria natureza se encarrega do restante.
   

Tubo inteiro a ser cortado próximo ao nó


 Corte nos nós para expor a larva que normalmente se acomoda próximo ao nó



 Liberando o tubo aberto dos dois lados - Para acesso ao predador ou aos demais insetos ou pássaros e formigas

  Em florestas mais densas, que tiverem varas cortadas de maior diâmetro que não puderem ser cortadas com podão, podem ser utilizados os "spliters"  convencionais ou facão. O simples corte longitudinal das varas já expõe as larvas aos predadores.



O material ficará no próprio local sendo reciclado.


A infestação será diretamente proporcional ao número de varas que não forem recolhidas.
Como coadjuvante podem ser utilizados repelentes e outros produtos similares aos utilizados nas hortas de produção orgânica, como a essência de laranja( extrato retirado das cascas de laranja).

Tenho utilizado este produto com algum resultado positivo mas certamente, o que realmente  é efetivo ao extermínio do inseto é o processo que descrevi acima, que é a eliminação de sua prole.
É conveniente lembrar que o uso de inseticidas, por mais agressivos que sejam. não chega a eliminar as larvas que estão eficientemente protegidas dentro dos colmos que forem cortados.
Sempre lembrando que  o uso de inseticidas além de eliminar os insetos quer se quer eliminar também mata outros que são benéficos ao bambu, como a Joaninha e alguns aracnídeos