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sexta-feira, 16 de julho de 2021

CAVILHAS DE BAMBU PARA AMARRAÇÃO

 CAVILHAS DE BAMBU com Pleioblastus simonii

A utilização de bambus como cavilhas é bastante comum no artesanato e nas estruturas  montadas que requerem acabamento em função da "não utilização de pregos ou parafusos(custo) nas montagens destas estruturas. 

Mas o que tem de diferente nesta postagem?? Eu sempre usei cavilhas feitas com bambus???

É exatamente isto que vou demonstrar, com a utilização de  uma espécie de bambu não muito comum nestes trabalhos, até mesmo pela sua disponibilidade e também pelo pouco conhecimento de algumas pessoas em relação a esta espécie e suas aplicações.

Trata-se dos Pleioblastus sp. cuja utilização nos artesanatos não é muito explorada mesmo que ele apresente qualidade que se destaca tanto pela aparência das varas, sua retidão e resistência, quando compostos em conjuntos para alguns trabalhos não estruturais.

Tenho na Coleção do Bambuplatz Garten 4 espécies de Pleioblastus porém o que se destaca aqui nesta finalidade "cavilhas" é o 

                               Pleioblastus simonii


Porque?

Ele tem algumas características básicas para utilização como cavilhas.

1 - Não precisam ser moldadas, pois suas varas tem diâmetro que vão desde 2mm(ideal 5mm ou acima) até aproximadamente 30mm. Elas já estão prontas basta cortar.

2 - São absolutamente retilíneas e "roliças" sem vincos(como existem nos outros tipos de ramos de bambu) e um pouco ásperas o que dispensa preparação para colagem se necessário.

3 - Possuem paredes fortes com pequena área interna o que lhe proporciona uma rigidez razoável. 

 Vou disponibilizar aqui a seguir uma demonstração de uma montagem até o ponto de colagem para posterior amarração de acabamento (se necessária).

Iniciando pelo corte das cavilhas que poderá ser de comprimento variado, dependendo dos diâmetro das peças a serem amaradas.


Escolher as varas mais uniformes e eliminar todos os nós fazendo várias varetas de mesmo diâmetro. Elas normalmente são uniformes e absolutamente cilíndricas. No caso de necessidade, fazer a seleção de algumas varas que tenham o mesmo diâmetro para fazer o corte das varetas.

Fazer o corte de várias unidades conforme as dimensões a serem utilizadas no trabalho de fixação das varas a serem unidas para posterior amarração.
Obs.: A utilização de Cavilhas se fazem necessárias para complementar a junção, evitando que as peças não deslizem ou se desloquem nas junções durante e após as amarrações.

Juntar as peças a serem amarradas e fazer a furação(que poderá ser passante ou não).

Fazer a penetração da cavilha nas peças com utilização de um martelo de borracha. Eventual excesso no diâmetro é compensado pela elasticidade do material. É conveniente fazer uma quebra na extremidade da cavilha com um estilete ou lixa.










Poderá ser colocada uma cola especial para fixação da cavilha (opcional), pois ela ficará contida pela amarração que fará com que ela não saia para fora das junções( é aconselhável utilizar colas de madeira convencionais).




Fazer o corte do excedente e preparar o local para a amarração com o material que escolher seja junco natural ou plástico.




Se for passante para os dois lados aparar o outro lado.










Tenho casos de junção de bambus de grande diâmetro tais como, junções de Bambusa oldhamii, Dendrocalamus asper, Phyllostachys pubescens ou outros de grande porte, onde posso utilizar seções deste mesmo Pleioblastus com diâmetros maiores.  Os bambus alastrantes em geral não são adequados para isto já que não apresentam colmos de diâmetros uniformes, pois apresentam um lado achatado. Mesmo os ramos de Bambusa oldhamii e tuldoides que são arredondados não possuem seções uniformes e são "afunilados".

 As cavilhas feita a partir de colmos  de outros bambus ( restos) recortados em tiras e depois arredondados(retificados) são maciços porém dão trabalho e no caso de amarração entre peças acabam aumentando o custo da operação em função do tempo de  sua preparação.

Ainda mais: Estas cavilhas podem ser usadas em qualquer tipo de montagem de outros moveis de madeira com a mesma eficiência das adquiridas no mercado.


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Dispomos de mudas deste tipo de bambu e outros similares que também podem ser utilizados em trabalhos semelhantes.

OBS.:
Este bambu além de bonita aparência pode ser utilizado em outros trabalhos artesanais pela retidão de suas varas e também no paisagismo como cerca viva, pois aceita poda e fecha com eficiência vistas indesejadas.
Contato 51 999820896 
e-mail: agrobambu@gmail.com

domingo, 31 de janeiro de 2021

TRATAMENTO TÉRMICO DE BAMBUS

 

 MÉTODO DE COCÇÃO DE VARAS DE BAMBU POR VAPOR




Durante algum tempo estive fazendo tratamento térmico nas varas de Bambus da espécie Phyllostachys aurea  e outros destas espécies sensíveis a este processo utilizando maçarico, somente para dar acabamento e ao mesmo tempo eliminar alguns insetos xilófagos que eventualmente poderiam estar contidos no material.

Mantive este processo enquanto minha produção era pequena e servia apenas para dar conta do material que eu mesmo utilizaria em pequeno trabalhos.

Passados alguns anos (mais de 15) a minha floresta de Phyllostachys(7 espécies) cresceu e se desenvolveu muito, de tal forma que o pré-tratamento preventivo, de queima com o maçarico se tornou impraticável com o volume crescente de varas a serem tratadas, após o período de colheita a cada ano.

Com o objetivo de agilizar este processo e poder dar conta do volume construí um forno de geração de vapor em base a um mix de modelos que fui buscando na internet e um que vi em operação em uma visita a uma fábrica de móveis de bambu em 2005 (que era um modelo bem sofisticado e profissional). Como a finalidade seria um pré-tratamento para preservação de varas que seriam comercializadas e que estas iriam ser tratadas posteriormente  pelo usuário, por outros métodos químicos, (imersão, injeção, etc...), resolvi optar por um equipamento bastante simples que eu mesmo desenhei junto ao serralheiro, como  está demonstrado a seguir, onde faço uma descrição sucinta do método de operação do forno e do cuidados com as varas.




Em função das reduzidas dimensões do cilindro de vapor a quantidade de varas pode variar entre 25 a 40 unidades em cada operação num tempo total de 2 a 4 horas (dependendo da temperatura do ambiente). A quantidade das varas dentro de cada imersão logicamente varia com o diâmetro porém é possível fazer uma acomodação delas dentro do tubo, invertendo as extremidades do lado de menor e de maior diâmetro.


As varas desramadas são inicialmente cortadas nas dimensões do  comprimento do forno e a seguir devem ser aparadas para serem removidos os toquetes resultantes da retirada dos ramos, para não trancarem ao serem adicionadas ou ao serem retiradas do forno (e não rasparem umas nas outras). 



Limpeza das varas antes de fornear

 O procedimento pré-forno é demorado e trabalhoso. Esta preparação das varas leva mais tempo e mão de obra do que o restante de toda a operação de cocção mas isto é o que garante um resultado final eficiente.

Todas as varas devem ser lavadas individualmente, pois elas possuem sujidades naturais da floresta que nela foram se acumulando durante anos(3/4 anos). Este processo pode ser mecanizado, mas mesmo desta forma precisam ser revisadas antes de serem forneadas. A camada de proteção externa do bambu dentro do forno aquece  e ela "derrete" e logo se  vitrifica novamente na saída do forno ao ser resfriada. Se houverem sujidades nesta superfície ela ficará aderida comprometendo o acabamento final.



   






Na retirada das varas é prática tradicional passar um pano embebido em óleo diesel na superfície externa no comprimento total da vara, que ao mesmo tempo que remove alguma sujidade residual da operação faz também a retirada da água condensada sobre as varas ao saírem do forno, e uniformiza a aparência da superfície externa das varas.



Esta operação final é extremamente difícil. A temperatura das varas é extrema, pois elas estão ainda muito quentes pelo vapor sendo resfriada unicamente pelo pano com o óleo diesel. É necessário algum esforço ao passar o pano, pois ele"gruda" na superfície caramelizada da vara. O processo de resfriamento é relativamente rápido. Normalmente este procedimento é feito em local aberto e arejado (até mesmo como prevenção pelo calor gerado pelo forno).

É aconselhável a utilização de algum equipamento de segurança como luvas e mangas compridas devido ao calor na retirada das varas do forno.

Embora não apareça nas fotos anexadas o procedimento de cocção é feito com a tampa da extremidade fechada(primeira foto)

O forno demonstrado é de 3,5 m de comprimento porém como ele é construído em módulos de 1,15m aproximadamente, é possível adicionar um ou mais módulos para utilizar varas mais longas, mas certamente irá requer também o prolongamento do tubo interno de vapor e mais tempo de cocção.



Descrição do equipamento

O recipiente de aquecimento é um tanque inox razoavelmente seguro e forte o qual é instalado sobre uma grade de um fogareiro a gás com estrutura de ferro.




Como esta operação é realizada em local aberto, algumas vezes com vento na base do tambor inox é colocada uma proteção de chapa metálica  para evitar que o fogo apague ou que haja algum acidente com o gás aberto durante o processo de aquecimento.

Todo o processo a partir do início de aquecimento da água  leva algumas horas(3/4h) dependendo da temperatura externa uma vez que o aparelho não é revestido. Neste sentido estou estudando uma forma de enrolar o tubo principal e os dutos de circulação para ajudar na manutenção do calor.

O material utilizado para construção do conjunto, tanto para o tubo interno quanto para o corpo do aparelho é chapa galvanizada suportada por duas guias dobradas em "u" do mesmo material, cintadas com os corpos dos cilindros para dar firmeza ao conjunto depois da montagem de encaixe dos módulos entre si.

















Todo o material é simples e de baixo custo - chapa galvanizada. O tubo interno e o tubo que conduz o vapor do taque para o cilindro mestre é o mesmo que se pode comprar nas ferragens utilizados como chaminés para fogão a lenha. 
Furação na tubulação interna em todos os sentidos para saída do vapor ao longo do tubo principal.


 


Varas pós cozimento/ Secagem

As varas depois de retiradas são acumuladas em um local apropriado para secar da umidade residual e serem resfriadas. Finalmente armazenadas no local definitivo.




Obs.:Dispomos destas varas pré-tratadas pelo método acima para serem comercializadas para o uso em artesanato ou para fins domésticos a quem interessar.

As informações de dimensões e modo construtivo estão a disposição através de contato aqui pelo blog ou no privado através de nosso mail: agrobambu@gmail.com
Outras informações disponíveis no nosso Instagram: #agrobambu ou # bambuplatz













  




































sexta-feira, 20 de novembro de 2020

BAMBUSA ARUNDINACEA/BAMBUSA BAMBOS

COLEÇÃO BAMBUPLATZ GARTEN

BAMBUSA ARUNDINACEA /BAMBUSA BAMBOS

BG-01
Bambusa arundinacea SinonímiaBambusa bambos 
É uma planta considerada de grande porte, com colmos verdes brilhantes de onde saem ramos com alguns de espinhos em seus entrenós.

Esta foi uma das mudas obtidas por troca com um colecionador de Fortaleza,CE. Como foi trazida em mãos teve algum prejuízo durante o traslado mas conseguiu reagir bem após o transplante. A outra muda foi preservada em viveiro por segurança e depois foi colocada no solo ao lado desta das fotos.
Elas eram assim quando chegaram...





Depois ficaram assim quando foram para o solo...

Assim era no dia que foi colocada no solo. 

E foram evoluindo com o passar do tempo...


Levou alguns anos para obter porte de planta adulta hoje possui uma touceira vigorosa com colmos de mais de 8 cm(que foi o máximo obtido até então).

 As bainhas caulinares são de pequeno porte e ficam aderidas ao colmo por mais tempo do que outros do mesmo gênero. 




As bainhas ficam colabadas aos colmos e custam muito tempo para cair ficando aderidas aos colmos muitas vezes de forma permanente até serem ressecadas e destruídas pelo tempo. Os ramos laterais são vigorosos e apresentam poucas folhas na parte mais inferior da planta onde se concentram a maioria dos ramos espinhentos. Na parte alta abrem ramos com muitas folhas.

O diâmetro chega a atingir 10 cm em touceiras com 7/8 anos. As varas não são absolutamente retas fazendo curvatura no centro para a extremidade dos colmos. Apresentam um certo zigue-zague em algumas varas, característico de algumas espécies deste gênero.
Os ramos espinhentos saem desde a parte basal em todos os nós o que dificulta o tratamento da planta e sua manutenção.
Para dar um melhor aspecto faz-se a retirada destas ramificações até aproximadamente 1,8m depois que o colmo atinge seu desenvolvimento completo.

Os espinhos...


Os brotos...
 
Este é o aspecto do broto. Sua extremidade tem uma característica que o distingue dos demais pois tem a conformação de uma "pata de vaca"  e não é pontudo como normalmente os demais brotos de outros bambus.





Crescimento rápido podendo atingir 10 a 12 m em 60 dias (aqui na nossa região)se as condições climáticas forem favoráveis.
Aplicações: Uso como material para pequenas peças de artesanato ou mesmo industriais, para biomassa, outras aplicações de acabamento moderado.
Resistente a temperaturas baixas quando devidamente protegido com outras plantas. Aqui na minha região com geada frequente no inverno e temperaturas que atingem normalmente -5ºC e no verão extremo pode chegar a 42ºC.
Sua reprodução através de estaquias é muito difícil mas possível. Já obtive mudas a partir de estacas com o uso de substratos desenvolvidos aqui.
Aqui na região centro leste do RS/Brasil não atinge sua plenitude nominal. 


A
gora em JAN/20 ela está assim...

O tempo passou como se pode ver ao fundo da primeira e da última foto
(12 anos)
Convém esclarecer que esta planta não se desenvolve com suas características plenas aqui na nossa região e, principalmente se tratando de local onde existem muitas plantas similares em local restrito quanto ao espaço físico. Desta forma o ambiente se torna menos receptivo somados aos fatores climáticos do nosso local.                                   

Outras fotos disponíveis: