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sexta-feira, 26 de junho de 2020

BAMBUS ALASTRANTES - BARREIRAS E CONTENÇÕES

APLICAÇÕES PRÁTICAS DE BARREIRAS PARA IMPEDIR ALASTRAMENTO DE RIZOMAS DE BAMBUS DO TIPO ALASTRANTE
 


A utilização de barreiras plásticas convencionais para impedir a evolução de plantas e raízes dentro de área em que se quer manter contidas, em determinado espaço, nem sempre é bem sucedida quando se trata de bambus de rizomas do tipo alastrante, na maioria das vezes por falta de conhecimento dos métodos de contenção e seus controles.
É conveniente destacar que o mito " este bambu é invasor" é muito mais por desconhecimento sobre a planta e seus métodos de controle do que pela planta ser agressiva em relação a outras.
Na natureza existem milhares de plantas alastrantes e tão ou mais "expansivas" do que o próprio bambu. 

Antes de abordarmos sobre o tema deste artigo, convém esclarecer o que significam estas diferenças dos tipos de rizomas e raízes, para as pessoas que ainda não estão familiarizados com estes tipos de bambu.

O desenvolvimento longitudinal destes rizomas de bambus alastrantes, de forma radial é bem diferente dos bambus do tipo entouceirantes, os quais se desenvolvem concentricamente a partir da planta colocada em um determinado local. 

Algo mais ou menos assim como no esquema abaixo:
Os alastrantes saem campo a fora e os entouceirantes ficam na volta da planta mãe.

Como nas figuras abaixo:
O esquema a seguir demonstra rizomas de bambus do tipo entouceirante
Obs.:Nas figuras se pode diferenciar as designações de rizomas, que são as partes subterrâneas e as raízes que deles emergem para a absorção dos nutrientes de manutenção da planta

                Neste outro temos os rizomas de bambus tipo alastrante
Esclarecendo: Os dois tipos de bambus tem a sua beleza  e ambos são perfeitamente controláveis desde que se tenha a técnica para conter sua expansão na área plantada.

Existem muitas teorias a respeito da eficiência deste tipo de barreira de contenção de alastramento dos rizomas, porque em algumas circunstâncias e tipos de terreno a abertura de valetas é algo muito difícil. Por ex.: Terrenos pedregosos ou em locais muito inclinados. 
Esta prática, no entanto, é valida para grandes extensões, locais inclinados e em áreas onde fica difícil o acesso de máquinas para a abertura dos valos.
Aqui na minha área tenho muitas destas valetas, algumas com barreiras outras não.
Existem alguns casos conhecidos de uso de barreiras de concreto ou mesmo paredes de materiais como lajotas e/ou tijolos. Todas as práticas são válidas, umas mais onerosas e outras de menor custo como esta que descrevemos abaixo, com o uso de plásticos recicláveis de correias transportadoras ou outros plásticos resistentes.

 
Desenho esquemático em corte de uma valeta:

Em azul está posicionada a barreira inclinada e na parte abaixo dela, no sentido da área livre de raízes/rizomas, se coloca o apoio de terra(que também pode ser areia) para assentar a barreira. Na  parte superior da barreira, em direção ao local onde as raízes/rizomas são gerados, se coloca areia ou matéria orgânica/folhas,etc.. da própria floresta( eu utilizo ambos). Esta parte de areia ou folhas facilita a inspeção quando os rizomas apontam para dentro do valo.
Algumas vezes a barreira pode ser instalada  e o valo não precisa ser preenchido, pois isto facilita a inspeção.
Este sistema com areia foi  visto em um colecionador que tive oportunidade de visitar no noroeste dos EUA 

A largura da vala não chega a ser um fator limitante, pois muitas vezes não se tem espaço para a abertura de valas largas. A largura de 40 cm é suficiente para a instalação da barreira, seja na vertical ou inclinada. 
O importante é que seja bem dimensionada a profundidade, a qual fica bem configurada ao se observar os rizomas já existentes quando se está abrindo a valeta, ou em caso de estar instalando a planta nova no local.  Neste caso se pode verificar a profundidade (de terra macia) do solo no local, mas dificilmente estes rizomas irão atingir uma profundidade maior do que 60 cm.
Com o preenchimento de areia os rizomas tendem a seguir o caminho ao longo da valeta, pois a areia é um caminho fácil que não oferece resistência ao rizoma e normalmente possui a umidade que a planta exige.
Inspeção dos valos de contenção

Vejam nas fotos abaixo um exemplo prático do que acontece. Esta primeiras foto é localização do rizoma em um valo de contenção aberto(sem barreira).

 




Esta foto acima mostra um dos rizomas quase chegando ao fundo do valo de contenção. Quando existe barreira e areia o rizoma chega ao fundo, bate na barreira e segue o caminho da valeta pela areia. Algumas vezes o rizoma não chega a descer e já segue o caminho da areia.


Devido uma característica local daqui do Bambuplatz Garten os rizomas dificilmente excedem os 35 cm, pois o solo tem uma camada de no máximo 40 cm de cobertura de terra mais solta, tendo logo abaixo uma cama argilosa (que chega a ser impenetrável em algumas circunstâncias). Os rizomas sempre procuram se expandir no solo mais favorável.

Material das barreiras.
Mantas plásticas recicladas, esteiras transportadoras, banners, plásticos de embalagens(que podem ser duplicadas ou coladas).
Em resumo: 
      "A melhor barreira é aquela que a gente pode dispor ou pagar"

Seguem abaixo algumas fotos do método que utilizo por aqui.





Abertura dos valos








Na foto abaixo, o uso da barreira para dividir duas áreas de alastrantes . Neste caso deve-se aprofundar um pouco mais a barreira e colocá-la na vertical. No entanto os dois lados devem ser preenchidos com areia ou outro material de fácil remoção e inspeção(folhas da própria mata de bambu).
A área de inspeção é importante, principalmente quando os dois bambus que estão lado a lado  e tem rizomas semelhantes, como no caso do gênero Phyllostachys ( com exceção do P.nigra). Em caso de uma das espécies conseguir ultrapassar a barreira, esta diferenciação poderá gerar muitos problemas na identificação das varas obtidas. Em alguns casos é melhor deixar a vala aberta, sem nenhuma barreira, como na foto acima.


Neste caso em especial temos 4 diferentes Phyllostachys, muito juntos uns aos outros P.aurea, P.bambusoides, P.nigra henonis e P.nigra ( os demais estão em outro local).
Nesta última foto a barreira plástica está instalada ao lado esquerdo da foto e a valeta completamente coberta com areia e folhas geradas no próprio bambuzal.


Como sempre costumo encerrar meus artigos expostos aqui no blog, todas as sugestões que servirem para complementar este artigo ou corrigir eventuais situações que aqui foram postadas serão designados os créditos ao autor .


quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

ENTREVISTA COM A REVISTA PIAUÍ

 ENTREVISTA COM A REVISTA PIAUÍ

Transcrevo no blog a reportagem com entrevista feita no BAMBUPLATZ GARTEN, em agosto de 2018, com a Fernanda Wenzel que veiculou o artigo na REVISTA PIAUÍ conforme transcrito abaixo.
Obs.: Apenas obtive a cópia original do artigo "sem nenhuma edição". O texto e as conclusões são integralmente Fernanda.


EDIÇÃO 143 | Agosto_2018                                                                                                           

E o bambu?

Uma surpresa a cada dia

Fernanda Wenzel
                    
                                                                                                                      ILUSTRAÇÃO_ANDRÉS SANDOVAL_2018
José Ene passava férias em Florianópolis em 2002 quando avistou algumas taquaras boiando no mar. Os locais as usavam para fazer viveiros de ostras, e ele decidiu levar um punhado delas para seu sítio em Eldorado do Sul, a cerca de 50 quilômetros de Porto Alegre. “Estavam cravejadas de mariscos, com um cheirinho bem ruim”, lembra o gaúcho alto e magro de 70 anos. Juntando um motorzinho a três ou quatro pedaços dos bambus que recolhera do mar, ele construiu uma pequena fonte que bombeava água numa bacia de cerâmica.
Sem se dar conta de imediato, Ene acabara de se converter num bambuzeiro, como são chamados os aficionados por essas gramíneas. Pegou gosto pela produção de objetos com essa matéria-prima. Certa vez deixou uma fonte em consignação num shopping de Porto Alegre. Quinze minutos depois o vendedor telefonou avisando que já tinha comercializado a peça: “Tem mais dessas?” Logo o gaúcho estava distribuindo sua produção em diversas lojas. Passou a fabricar utensílios de cozinha, carrancas, abajures e bastões – tudo de bambu. “Depois que tu começa, não larga mais”, alertou.
Como a demanda só crescia e o acesso à matéria-prima estava difícil, Ene decidiu plantar os próprios bambus. Hoje se proclama o maior colecionador particular dessas gramíneas do Brasil. Em seu sítio de 1 hectare, batizado de Bambuplatz Garten – “jardim dos bambuzais”, em alemão –, há 58 espécies da planta, fora aquelas que ele ainda não identificou (o termo “bambu” designa mais de mil espécies que ocorrem em quase todos os continentes, com exceção da Europa e da Antártida – só no Brasil há cerca de 300 variedades, às vezes chamadas de taquara, taquarembó, taquaruçu e outros termos de origem indígena).
O bambuzeiro é bioquímico de formação, com pós-graduação em administração de empresas. De segunda a sexta fica em Porto Alegre, onde trabalha como consultor técnico para empresas de alimentos; nos fins de semana vai para o sítio, hoje ponto de encontro de aficionados que vão admirar sua coleção e participar de oficinas e seminários. “O bambu é uma planta que a cada dia me causa uma surpresa”, disse Ene. “É diferente de uma bananeira”, continuou, apontando para alguns espécimes em sua propriedade. “Elas dão banana todo ano e não me surpreendem. O bambu, não.”
A fim de mostrar a variedade de sua coleção, num fim de semana de julho Ene levou a repórter da piauí para um tour guiado pelo Bambuplatz Garten. “Olha que espetáculo”, exclamou, indicando quatro touceiras imponentes de Bambusa oldhamii. “Essa planta resiste tanto ao inverno rigoroso como às altas temperaturas do verão do Rio Grande do Sul”, contou. Ainda destacou belos espécimes de Phyllostachys pubescens, a espécie de maior importância comercial da China, e os bambus gigantes Dendrocalamus asper.

Ene guarda até hoje uma taquara coberta de cracas remanescente da primeira fonte que fabricou – “por uma questão histórica”. Mas já não produz objetos de bambu, a menos que seja para atender à encomenda de algum amigo ou que tenha alguma serventia para a casa, como o corrimão que fabricou para a escada do sítio. Hoje o gaúcho se dedica a cultivar mudas de bambus que ele vende a arquitetos, paisagistas e colecionadores. Mas essas gramíneas podem ser aproveitadas numa série de outras aplicações, da construção civil à produção de celulose, passando pela geração de energia e pela alimentação – seu broto está presente em muitos pratos asiáticos.
Além disso, o gaúcho atua como divulgador do bambu e articulador dos entusiastas – mantém um blog temático desde 2011 e administra um grupo de WhatsApp que reúne dezenas de bambuzeiros do Rio Grande do Sul. Conecta-se também com seus pares no exterior. “O bambu me proporcionou grandes amigos fora do Brasil”, contou. “Todo ano vou aos Estados Unidos visitar a coleção deles.”
Ene é diretor regional da Associação Brasileira dos Produtores de Bambu. Em ano de eleição, a entidade está se articulando para que seus interesses sejam representados nas urnas. Produtores que atuam em várias regiões – a planta é cultivada em oito estados brasileiros – devem distribuir entre os candidatos um documento que os convida a tomar medidas de estímulo à cadeia produtiva do bambu. O gaúcho não descarta levar as reivindicações para os postulantes ao Planalto. “Tu acha que tem algum presidente bambuzeiro?”, perguntou, rindo.
Após dezesseis anos de interesse pelo bambu, a dimensão metafórica de sua obsessão não lhe passou despercebida. A imagem da planta que verga mas não quebra já foi evocada para ilustrar o caráter de indivíduos tenazes. O que nem todos sabem é que ela se enquadra em toda uma linhagem de comparações. “Muitos ditados chineses se baseiam no bambu como um espelho da personalidade”, pontificou o gaúcho.
Que ninguém ouse, porém, fazer troça de sua paixão. Piadas que exploram as rimas com bambu ou alusões que lhe pareçam desrespeitosas despertam profundo desgosto no gaúcho. Foi o que sucedeu numa de suas viagens aos Estados Unidos, em 2010. Assim que soube que o museu Metropolitan, em Nova York, exibia uma obra feita de bambu, o gaúcho tratou de alugar um carro em Baltimore, onde estava hospedado, e dirigiu mais de 300 quilômetros para ver de perto a instalação dos irmãos gêmeos americanos Mike e Doug Starn.
Big Bambú consistia numa grande estrutura no teto do museu montada com milhares de pedaços de bambu atados com cordas, dentro da qual os visitantes podiam transitar. A exposição foi premiada, esteve entre as mais visitadas do MET e inspirou uma releitura da logomarca do New York Times, mas Ene não viu a menor graça na obra, que lhe pareceu bruta, malfeita e deselegante. Onde os artistas esperavam estimular uma reflexão sobre a mutabilidade da existência e o significado de estar vivo, o bambuzeiro viu apenas “um amontoado de palitos e varas empilhadas”. “Não tinha nada de positivo para quem queria evidenciar a beleza e todos os apelos da planta”, lamentou Ene. “Estragaram a imagem do bambu no mundo todo.”
                    

Fernanda Wenzel

Meus comentários em Janeiro/2020
Já reli algumas vezes este artigo e seguidamente faço algumas críticas, mas como não posso(e não devo) alterar o texto original faço as atualizações aqui:
1- Não tenho mais 70 anos.
2- Não me intitulo o maior colecionador do país( embora tenha dúvidas)
3- Não tenho mais 58 espécies na coleção e sim 70 e mais algumas em identificação.
4- Não me importo mais com piadas sobre o \bambu! A piada é quem não o leva a sério!
5- Tenho dezenas de fotos tiradas da "obra" com o bambu feita no MET/NY para comprovar o que lá fizeram.  

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

COMO PLANTAR E CUIDAR DA SUA MUDA DE BAMBU

PLANTANDO E CUIDANDO DOS BAMBUS




Abaixo procuro descrever a sequência  de alguns cuidados para o transplante de mudas de bambu. São procedimentos convencionais para a maioria das plantas, adaptados com algumas peculiaridades para o Bambu.

Este artigo engloba o plantio de pequenos lotes de mudas  para colecionadores, aficionados ou paisagistas e não se destina ao plantio de larga escala(embora  possa servir como uma referência)


GENERALIDADES SOBRE A CULTURA DO BAMBU EM NOSSA REGIÃO

Aqui no estado do Rio Grande do Sul, extremo sul do Brasil, o Bambu não tem tradição técnica institucional, nem para o cultivo nem para o uso. Muitas vezes questionei amigos da área agrícola,  Engº Agrônomos e Técnicos agrícolas sobre quando isto? ou quando aquilo? ou quanto disto? ou qual o melhor fertilizante? ou qual a melhor época?  qual o melhor método? qual a melhor embalagem para mudas?... qual o melhor substrato?.. e as respostas sempre foram evasivas ou generalistas.

Temos aqui no Brasil muitos renomados pesquisadores, mestres, professores e técnicos especializados em Bambu, mas poucos estão aqui no sul do país! Logo, como fui eu mesmo que plantei todas as quase 70 espécies da minha coleção, as cultivei e as vi crescer, nestes últimos 20 anos sendo que, de algumas delas tenho várias touceiras(mais de 100 touceiras ao todo), estas respostas tem que ser dadas mais ou menos assim:
                       Deu certo?...  está dando certo?... então vamos em frente!
Antes, porém, gostaria de abordar alguma coisa sobre clima e localização.
Em se tratando de Bambu, aqui no estado do Rio Grande do Sul, as coisas são um pouco diferentes do que nos outros estados e demais regiões do país, tanto no tocante ao clima, índices pluviométricos, altitude e quanto a outros fatores (não menos importantes).

Coloquei este mapa abaixo para que, quem não conhece nossa posição geográfica, possa localizar o estado do RS no mapa da América do Sul e do Brasil, em relação ao mapa mundi (mais abaixo) e poder comparar a nossa região em relação as áreas onde o bambu se desenvolve no mundo.

Basta observar a extremidade sul do Brasil no mapa abaixo para que se tenha uma idéia do que estou colocando aqui. Posicionando o mapa do RS ( mapa1) abaixo, onde está a distribuição de bambus no mapa mundi(mapa2), se pode constatar que este é o extremo da distribuição (natural) de bambus no sudeste da América do Sul junto ao Uruguai(**).

 


mapa1
Em outras palavras, o RS está localizado na "extremidade distal" (em relação a linha equatorial) onde se pode ter bambus. Onde termina a marcação colorida em azul está uma seta vermelha que indica esta extremidade.
No mapa mundi abaixo se observa a distribuição global, apenas ilustrativa(manchas azuis) e se refere ao BAMBUSOIDEA, de todos os gêneros de bambus, ou seja, abrange bambus herbáceos, arbustivos, lenhosos, de médio porte e de grande porte(inclui todos os chamados bambus gigantes com mais de 10 cm de diâmetro). 

Cada região tem sua peculiaridade em desenvolver espécies de maior ou menor porte como os Guadua no Centro-oeste, noroeste do Brasil e Colômbia. Estes bambus de grande porte, tanto os Guadua como outros bambus exóticos asiáticos, conhecido como "bambus gigantes", até  se desenvolvem aqui no sul do Brasil, mas "sem" as suas características ideais em diâmetro e altura das varas com o mesmo "performance" que se desenvolvem em suas regiões de origem.(*)                                                       mapa2
                                                                                                 

(mapa do site do INBAR)
Estes comentários feitos até aqui são para "justificar" que nem todos os bambus da mesma espécie, que se vê pelo mundo afora, terão o mesmo aspecto e dimensões ideais como em suas regiões de origem. Muitas pessoas interessadas em plantar bambus aqui no RS nos procuram tentando encontrar espécies que aparecem nas literaturas sobre bambus com diâmetros de 35cm e alturas de mais de 30 metros.


PREPARATIVOS ANTES DE PLANTAR O BAMBU NO SOLO E/OU EM VASOS


As mudas de bambu que são comercializadas (em tubetes/sacos/ potes) no BAMBUPLATZ GARTEN já possuem sistemas radiculares bem estabelecidos e, de uma certa forma, "climatizadas" e estão prontas para serem transplantadas para o solo, canteiros ou para outros vasos maiores.


No caso de transferir a muda para um pote maior do que o original: 
Adquira no mercado um substrato de boa qualidade ou prepare um substrato a partir de insumos que você dispuser. Convém estar atento para um substrato ou mistura de terra que seja "leve" que possa manter  o rizoma e as raízes aeradas.


Se você adquiriu uma muda e não conseguir plantar seu bambu no chão imediatamente, verifique a planta diariamente para garantir que o pote original não esteja seco.


São muitos anos de testes e experiências mas ainda muitas vezes me questiono ao me deparar com certas situações. Muitos aspectos sobre o que é "melhor" para plantar e transplantar bambus ainda podem ser questionados e melhorados. Isto é  o que sempre tenho buscado com os meus pares em visitas a outros colecionadores e produtores de mudas de  bambu como eu. 


QUANDO PLANTAR?

Esta resposta me foi dada pessoalmente pelo Yves Crouzet, que é um experiente e renomado produtor e distribuidor de mudas de bambu, quando visitei sua coleção no seu Bambuparque em Odemira, Portugal.
Estas foram suas palavras:

 "Ao contrário do que muita gente pensa os bambus devem ser plantados ainda durante o período de frio". Da metade do Inverno em diante( logicamente posterior ao período das geadas), para que em seu período de brotação, que é da primavera até o verão, já aponte os primeiros brotos.

Aqui no RS (e os estados do sul) tenho o cuidado de recomendar  que seja depois do terceiro terço do inverno que, embora ainda se corra o risco de geadas, o clima é mais estável e os dias começam a ficar mais quentes e maiores.
As proteções que utilizo na época de geadas estão demonstradas aqui abaixo e também em um outro artigo aqui neste blog.


Consiste de uma estrutura de tela soldada de aproximadamente 2 m de altura e 2 a 3 m de comprimento, envolvida com um filme plástico com pequenos orifícios,uma área de inspeção que serve de acesso para eventuais intervenções e para molhar a planta quando necessário. Na parte superior, coberta com  um sombrite de 50% cintado com elemento elástico para facilitar o acesso. 
(veja mais abaixo fotos de como confeccionar e instalar estas proteções)


LOCAL E CUIDADOS COM O SOLO


É importante conhecer a análise do solo do local do plantio de seus bambus. Eles não gostam de solos ácidos de pH<6,5  neste caso, sempre é conveniente aplicar calcáreo no fundo da cova e um pouco na terra removida e que será usada no preenchimento da cova, posteriormente.




A medição ("caseira") do pH pode ser feita com o seu medidor da água da piscina fazendo uma solução com a terra do buraco com um pouco de água. Existem várias dicas na web de como improvisar esta medição.
Obs.: Logicamente o procedimento ideal é o de colher a amostra e levar para análise em laboratório habilitado ou utilizar equipamento adequado.

DICAS PARA PLANTAR USANDO VASOS
Como os bambus gostam de boa drenagem da água, uma terra com uma boa dosagem de vermiculita será bom(ou outra fibra que permita aeração e leveza). A colocação de porções de pedras britadas ao redor dos furos do vaso, cobertas com alguns filtros de café usados com a finalidade de separar a terra da brita(chamada brita zero), dará uma boa drenagem.
 DICAS PARA PREPARO DE UM SUBSTRATO

Caso não disponha de turfa pronta, improvise o seu próprio substrato misturando a terra do seu local, areia média e estrume (o que tiver ). 
Proporção: Terra do solo local 50%, areia 25% e estrume(compostado) 25%.
Ou, (se houver disponibilidade): Terra local34%, casca de arroz 33% e estrume 33%
Obs.: Algumas literaturas indicam a colocação na mistura de pó de rochas.

PLANTIO DO BAMBU NO SOLO
Preparo da local.

Fazer uma cova  com o dôbro do tamanho do pote tanto na altura quanto no diâmetro que poderá ser quadrado ou redondo.


Quanto maior o diâmetro da cova, melhor.

Se o seu solo for arenoso, remova-o e reserve a porção para misturar no solo de preenchimento com os demais componentes que for utilizar. Se não for arenoso, será conveniente misturar um pouco de areia média  na terra que você reservou.

Se o local da cova possuir raízes de outras plantas, remova-as da terra e do entorno o máximo que puder( elas irão concorrer com o seu bambu no futuro).

Se conseguir preparar a cova algum tempo antes do plantio será melhor para a colocação da planta ( colocar água e alguns nutrientes - calcário/ NPK(10-5-5) e cobrir com terra estes insumos no fundo).

Atenção: a colocação de NPK pode ser feita na terra de preenchimento, mas evitando contato das raízes da nova planta que está sendo colocada na cova.
Evitar a colocação de excesso de nutrientes também no fundo da cova, pois parte será perdida e servirá para alimentar as raízes concorrentes das plantas que estiverem em torno de sua nova muda.
Existem no mercado inúmeros produtos com outros componentes indicados para gramíneas que oportunamente poderão ser adicionados.
   
Cova pronta para receber o pote.

 
Posicionar o volume a uma profundidade de modo que o nível do solo no pote fique ao mesmo nível que o solo ao seu redor. Ver o esquema ao abaixo:










Colocar um pouco de terra seca misturada com seu substrato no fundo da cova, firmemente. Remova o bambu do pote com cuidado para não romper as raízes que muitas vezes ficam coladas nas paredes e na parte inferior do pote ou saco original. Procure fazer isto com a planta já posicionada no local na cova.

Se estiver em pote faça rasgos verticais em 3 ou 4 pontos  de forma que o pote abra a lateral e solte o fundo. Se houverem muitas raízes enroladas ao redor do fundo, apare um pouco esses excessos.

Se as mudas estiverem em sacos, faça rasgos verticais de cima até ao fundo do saco,  laterais para soltar completamente o torrão uniformemente, para não haver ruptura de raízes, evitando que o torrão se desfaça.

Executar estas operações no local de transplante.

OBS.: NÃO TENTE RECUPERAR OU SALVAR POTE ORIGINAL.










"Quebrar os ombros da cova".
Consiste em retirar a grama e raízes e outras plantas que estiverem na circunferência externa da cova.  
Separar para desmanchar os torrões de terra e colocar a terra em volta, fazendo um talude de proteção ao redor da planta após o plantio.
Esta prática reduz a concorrência de água e nutrientes que as outras plantas, que circundam a nova muda plantada, poderão fazer no princípio de sua adaptação ao novo local .



 Colocar o restante do substrato preparado e misturar com a terra retirada da cova para completar o local na volta da muda, de maneira que o solo fique todo nivelado com o solo local


 

Muda plantada

Usando um pouco do solo removido da cova crie, um montículo de terra em forma de talude, com alguns centímetros de altura, ao redor da borda externa da cova preenchida. Isto ajudará a reter a água ao redor da planta, ao regar.

COLOCAÇÃO DAS PROTEÇÕES

Se no local houver animais, estas proteções deverão ser mais amplas, ou seja, de dimensões suficientes para que os animais não alcancem as folhas. Os bambus fixadores da estrutura deverão ser de maior diâmetro e quantidade, de forma a dar maior rigidez a estrutura.
Animais de grande porte tais como: suínos, caprinos, ,equinos e gado em geral
adoram as folhagens e brotos de bambu; portanto... Tela firme na volta deles!
Obs.: Alguns animais selvagens podem vir a saborear os brotos...(antes de você)!
  
No caso de proteção às geadas, que é o caso aqui do sul do Brasil e países vizinhos(quanto mais ao sul pior), basta executar uma estrutura similar à demonstrada abaixo com uma tela soldada comum de 2x2m(conforme fotos anteriores), fixada ao solo com algumas "taquaras" e envolvida por um plástico aberto na parte superior, coberta com tela sombrite fixada a estrutura. 

Tenho um outro artigo aqui neste blog sobre as proteções das mudas para o inverno.










Fixar a tela nas estacas e procurar fixar alguns raminhos mais frágeis para não ficarem se chocando com o vento e batendo nas estruturas em seu redor.



Colocação do plástico de proteção às geadas/frio da muda recém plantada

Esta cobertura plástica pode ser removida no término do período de geadas mas poderá ser necessário que volte a ser colocada no ano seguinte. Depois do 2º ano da muda colocada no solo não será mais necessário este tipo de proteção, salvo se a espécie de bambu for muito sensível ao frio abaixo de -5ºC. A tela poderá ser mantida pelo tempo que julgar necessário. Aqui na minha área tenho uma coleção de várias espécies que são de diferentes comportamentos em relação ao frio. Em algumas é preciso manter estas proteções por mais tempo do que outras.





Quando chegar o período mais quente, ao remover o plástico pode (em alguns casos ate é necessário) colocar um sombrite fixado ao redor da tela para proteger a muda nos primeiros contatos com o sol direto, se o local for sem sombra parcial.
O sombrite além da proteção ao sol direto exerce uma proteção aos predadores rasteiros e também restringe o acesso de insetos. 

REGANDO O BAMBU
  
Os bambus, como a maioria das plantas, exigem uma boa e completa irrigação quando a superfície do solo começar a ficar um pouco seca.
Coloque água suficiente a umidificar o solo porém, sem encharcá-lo. Os bambus não gostam de solo com excesso de água.
Algumas espécies são mais tolerantes ao excesso de umidade do que outras, mas esta dosagem só se define com o conhecimento da sua planta e local.


- QUANDO O BAMBU ESTIVER EM POTE 
Verificar diariamente, no período mais quente, se há secura na superfície da terra no pote e regue-o quando for necessário. A maneira mais certa de matar uma planta de bambu é deixa-lo secar... a outra é encharcá-lo!
Existe no mercado um aparelho de baixo custo(aprox.5$USD) com duas hastes que medem respectivamente, a umidade e o pH de pote e solos.

  

-QUANDO O BAMBU ESTIVER NO CHÃO

 Na primeira vez, coloque água no bambu recém plantado até que o solo fique saturado e a água desapareça alguns centímetros. Se for em período seco, repita isto várias vezes ao longo das próximas horas, para garantir que todo o solo do entorno tenha absorvido água e que qualquer ar preso no local plantado borbulhe até a superfície. Se necessário coloque mais terra para que o conjunto não afunde e o nível da planta abaixe muito em relação a terra em seu redor.

Regue o bambu recém plantado todos os dias durante a primeira ou segunda semana, "se houver necessidade". Depois disso, deixe a superfície do solo começar a secar antes de regar e proceda a rega como nas outras plantas.


As regas devem ser feitas durante o dia quando existe luz suficiente para a fotossíntese. Evite molhar a noite pois a água não será utilizada pela planta e irá estimular o desenvolvimento de microorganismos que poderão não ser benéficos.
 
SE AS FOLHAS DO BAMBU ESTIVEREM ENROLADAS E MURCHAREM - ÁGUA IMEDIATAMENTE !

ALIMENTANDO O BAMBU

Use um fertilizante de alto teor de nitrogênio, de boa qualidade e de alta liberação de nitrogênio que pode ser o 10-5-5 e/ou próximo desta dosagem (ou consulte alguém da área para opinar). Sempre tem um para dar palpite. 😄 
Se você está plantando entre abril e junho, pode aplicar uma pequena quantidade de fertilizante e depois não fertilizar novamente até setembro. De dezembro a abril se pode aplicar fertilizante liberalmente "em doses razoáveis" ao tamanho da planta. No caso de touceiras de bambu que já estão no solo, algumas vezes aplico o fertilizante misturado em um pouco de terra mesclada com estrume, para dar uma nova cobertura sobre as folhas secas que estão caídas ao redor da touceira.

O bambu aprecia muito a comida durante a estação de crescimento (de setembro a novembro para os alastrantes e de dezembro a abril para os entouceirantes). Você também pode colocar todas as palhas/resíduos vegetais disponíveis  no seu local ao redor da planta para preservar a umidade e evitar concorrência de outras plantas.

Tenho muito pinus nas cercanias da minha área e assim utilizo as pinhas que caem da árvores e faço uma moedura misturando com o resíduo de todas as palhas que são geradas das palmeiras e dezenas de outras árvores daqui do Bambuplatz Garten. O resultado desta moedura é colocado nas covas ou por lanço sobre os canteiros e algumas vezes no mix dos potes de mudas. 
Utilização de folhas e moagens de resíduos orgânicos nos caminhos do Bambuplatz

PROTEÇÃO AOS PREDADORES

Normalmente os bambus são bastante resistentes aos insetos com raras ocorrências quanto a formigas, ácaros e outros insetos foliares. Nenhuma proteção adicional é necessária. Se houver necessidade, podem ser aplicados preparados caseiros do tipo óleo de cozinha/sabão neutro, solução de fumo e outras, para prevenir alguns ácaros.

Em outros artigos neste blog tenho descrito sobre as atividades de insetos que, por vezes interferem no desenvolvimento de alguns tipos de bambu.  Nestes artigos também descrevo como fazer a prevenção contra estes insetos ou aracnídeos.
OBS.: Como estas técnicas foram sendo obtidas experimentalmente, elas podem ser modificadas no sentido de se obter melhores resultados a partir de novas experiências e/ou novas informações.

Serão aceitas sugestões dos que lêem este artigo e testadas, no sentido de aprimorar tanto o artigo como nossas técnicas e, logicamente, serão repassadas neste mesmo blog como complemento, com os créditos ao colaborador.


OBS:
(*) O mapa divulgado junto ao comentário assinalado foi retirado da web publicado em diversos trabalhos científicos sobre bambu sendo de autoria desconhecida.
(**)O comentário sobre a distribuição de espécies de bambu no Uruguai não é abordado aqui neste artigo por ser dirigido unicamente aos bambu no Brasil, mais especificamente no estado do Rio Grande do Sul.