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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Agora é a vez dos Dendrocalamus e Bambusas

Os Dendrocalamus e Bambusas normalmente começam a brotar em janeiro. Este ano de 2011 entretanto, começaram um pouco mais tarde. Porque? Provávelmente porque dezembro a umidade estava um pouco baixa em função de poucas chuvas aqui na região. Em janeiro e fevereiro as chuvas estiveram mais frequentes. Apenas nestes dois meses chegamos a constatar 2 ou 3 chuvaradas de mais de 100mm o que, nesta época, se pode dizer não ser uma situação normal.
O que importa é que inclusive aqueles bambus que sofreram com as geadas do inverno de 2009 e 2010 agora encontraram "fortes argumentos"para substituir os colmos perdidos.
O grande problema da perda de colmos na geada é o atraso que causa para as gerações seguintes - A experiência resultande da geada de 2009 foi devastadora. Os colmos novos que haviam brotado em janeiro foram "queimados"pelo congelamento em junho de 2009, ao ponto de terem que ser cortados, para evitar o ataque dos insetos xilófagos(todos). Estes colmos por serem muito jovens(apenas 5 meses se tornam o prato preferido do Tigre(Chlorophorus annularis) e outros insetos. Uma vez que estirpados a planta levou 2 anos para colocar novos brotos, pois não possuia ramos/folhas para gerar a energia necessária para a sua recuperação.
A geada aqui do RS, principalmente em regiões planas e em áreas abertas, é um fator fundamental para a definição do tipo de bambu que se vai plantar e na escolha do local onde será plantado.

Esta situação plotada para uma produção em larga escala se torna um prejuízo quase irrecuperável ou, na melhor hipótese, levaria o dobro do tempo para uma retomada. E uma das minhas touceiras com 5 anos todos os colmos tiveram as folhas queimadas com a geada, todos secaram completamente e todos tiveram que ser cortados. No período seguinte somente surgiram pequenos galhos em torno das bases dos colmos cortados que foram mantidas. No segundo período(1 ano e meio depois) surgiram apenas 1 ou dois brotos en cada touceira onde inicialmente já era uma touceira com 5 ou 6 colmos jovens com mais de 10 m de altura.
Conclusão: 1 geada = 2 anos de perda 
As fotos abaixo mostram uma devastação de apenas uma semana de frio no inverno passadonos lotes de bambu que tenho em uma área aberta.



                        Dendrocalamus asper em area aberta no dia seguinte após a geada de junho/2009.

Este ano consegui obter no  Sitio Bambuplatz os melhores resultados no rendimento dos colmos dos Dendrocalamus tanto em diâmetro como em altura. Considerando a idade das plantas(não mais de 6 anos) estes resultados são animadores para o futuro, uma vez que sendo plantas jovcns, ainda não atingiram seu ponto ideal de desenvovimento (principalmente se considerarmos que uma touceira desta espécie pode durar mais de um século),
Seguem abaixo algumas fotos de uma sequência de 2/3/4/6 semanas do desenvolvimento de uma brotação de Dendrocalamus asper. Incluindo uma foto desta touceira em setembro de 2011.





Brotação de Dendrocalmus asper de 2011 - Acima a brotação com 3 a 4 semanas.Abaixo os brotos numerados nas fotos anteriores como 1,2 3 e 4 -

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Foto obtidas em setembro de 2011 com os colmos já desenvolvidos - Com 9 meses

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Chega de máquina de cortar grama!...

Com a chegada do novo mini-trator Murray de 18,5 HP terminaram os dias de tortura com a máquina de cortar grama. Eram consumidas muitas horas para roçar os inços e cortar a grama na área dos bambus, no Bambuplatz e em todo o sítio. Agora posso dedicar mais tempo para as mudas e para o cuidado dos bambus. O trabalho que se fazia em  6 a 8 horas nos finais de semana foi realizado em pouco mais de uma hora ainda que com pouca prática. A seguir virão o reboque de carga e o reservatório de água/bomba que ele irá puxar o que também vai racionalizar boa parte da mão de obra.
 O nome dele é Nigra (qualquer alusão com o Phyllostachys nigra é mera coincidência!)

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

É época dos Phyllostachys

A época dos Phyllostachys…
Vista da area dos Moso(centro/esquerda)
  
... SETEMBRO...
Em setembro inicia o período de brotação dos Phyllostachys aqui na minha região(RS) não muito diferente do que acontece nos outros lugares. As plantas ainda carregam as folhas sofridas pelo inverno e gradativamente vão sendo substituídas pelas novas, mais vigorosas, que surgem. No solo, as que caíram, se acumulam junto a touceira para dar proteção aos brotos emergentes e também para segurar a umidade e preservar o solo do forte calor do verão que se aproxima. É a natureza fazendo o seu trabalho.

Medidas preventivas para proteger as brotações
Phyllostachys pubescens (Moso)
 
                      


         










Tela de proteção na área de brotação dos  Phyllostachys pubescens (Moso)
 Barreiras para demarcar a área de brotação-Phyllostachys nigra

Neste mesmo período começo a dedicar cuidados especiais no sentido de proteger os brotos novos das variações climáticas frequentes nesta época, das operações de manejo e dos animais. Os animais domésticos costumam circular por dentro dos bambuzais algumas vezes quebrando ou pisoteando sobre os brotos. Para isto utilizo em algumas áreas telas de 60 cm de altura ao redor das áreas de brotação e quando os brotos estão muito distantes coloco uma estaca de bambu ao lado do broto para marcar sua posição e ao mesmo tempo protegê-lo. Em alguns locais coloco barreiras transversais de bambu para quebrar a continuidade das áreas livres de brotação. No final do período de brotação estas barreiras são retiradas para integrar os bambus à paisagem.

Sequência de brotações
Dos Phylostachys que disponho na minha coleção o pimeiro a brotar é o P.pubescens(Moso) logo a seguir são o P.nigra “henonis”, e  a seguir os P.nigra. Neste período inicia a brotação dos P.aurea em todas as suas variedades, que chega se estender pelo mês de outubro inteiro. Por último, os P.bambusóides. O interessante é verificar como as variações climáticas influenciam na formação dos entrenós do P.aurea como se pode verificar nas fotos. Estas contorções e deformações dos bambus, muitas vezes originários de uma mesma mãe, demonstram nitidamente as faltas ou excessos de nutrientes, água e variações de temperatura. O mais característico de todos é o Phyllostachys aurea cujas deformações lhe conferem uma identidade.




Nenhum dos outros Phyllostachys apresenta estas características de nós deformados que, em algumas vezes, lhe confere uma característica de subespécie como p.ex.o P.aurea heterocicla.

No final de novembro praticamente todas as brotações já estão acabando e alguns poucos brotos remanescentes começam a enfraquecer ou mesmo secar. Algumas espécies de Phyllostachys continuam a emitir brotos novos enquanto as condições de solo e clima são favoráveis como o P.bambusoides(Madake) que emite novos brotos até dezembro.



 Limpeza na área
Flores dos Aguapés(Baronesa) contrastando com o novos ramos dos Phyllostachys que se abrem.
Logo após o final das brotações dou início à manutenção das áreas em volta destes bambus, pois deverão ser retirados todos os inços, gramas e outras plantas que podem competir com os novos brotos que, em apenas 2 semanas, chegam a ser varas com 3 a 4 metros de altura(Inços na foto acima).  A competição das ervas daninhas é um dos fatores que atrapalham este rápido desenvolvimento. É muito arriscado chegar próximo ao mato de bambus, para se fazer a limpeza antes da brotação, pois se corre o risco  de pisotear sobre um local onde poderia emergir um novo broto.  Esta limpeza então deve ser feita quando os brotos já estão crescidos, no ponto em que as varas ainda não chegaram a abrir seus galhos e folhas, quando ainda estão fechados, até o final do período de crescimento longitudinal, o que pode durar algumas semanas.


     Novos colmos de Phyllostachys aurea


É importante manter nesta limpeza as folhas secas que se acumularam no solo para garantir a umidade e a reciclagem da matéria orgânica no seu ciclo natural. Neste período se retira alguns galhos e colmos secos para dar espaços aos novos colmos e ramos que irão se expandir.
A cada ano a multiplicação de novas varas é significativa. Esta nova floresta de P.aurea tem apenas 5 anos e a cada ano as novas varas surgem com maior altura e maior diâmetro. Hoje o diâmetro máximo é de 3 cm. Em uma outra área que dispomos, o plantio, que tem mais de 12 anos as varas chegam a atingir mais do que 5 cm de diâmetro.
Depois da limpeza começa o período de abertura dos ramos e as plantas iniciam o seu melhor ciclo. As folhas assumem um tom verde claro muito exuberante(como as fotos acima). As novas varas se tocam umas às outras apenas deixando gentilmente o espaço para passar mais um novo colmo. O contraste dos tons entre as plantas antigas e as novas exibem um performance de cores muito agradável. O espaço para a circulação dentre os colmos, em contrapartida, vai ficando a cada ano mais exíguo e o acesso para o manejo, por conseguinte também.
Isto acontece em uma floresta jovem onde nenhum colmo ainda foi cortado. Nas florestas com mais de 6 anos os espaços entre os colmos já começam a ser maiores, na medida que o corte/desbaste começa a ser feito.
A época dos Phyllostachys é ampla mas referindo-me ao período de maiores cuidados ela só termina quando o período da estiagem entre janeiro e abril acaba. Agora estamos em Janeiro  e as chuvas começam a se espaçar aqui no sul e como as plantas estão exercendo seu maior vigor não lhes pode faltar nada, principalmente ÁGUA.
Os demais Phyllostachys são plantios com pouco menos de 3 anos e não possuem varas com diâmetro significativo, embora o alastramento do P pubescens(Moso) neste ano tenha sido muito bom, considerando que todas as plantas-mãe desta espécies são originárias de plantio de sementes. Cerca de 12 matrizes que foram colocadas em uma área de sombra e relativamente protegidas, hoje já atingem cerca de 90 novas varas, que no próximo ano se multiplicarão exponencialmente.
Por estes motivos escrevi o post anterior: Muita água para os Bambus...

Bamboo Dance

Existem alguns videos no Youtube que são verdadeiras obras primas que merecem ser destacadas por sua simplicidade. O video que compartilho com os amigos do meu Blog é um dos que tenho, com alguma frequência, visto e revisto sempre que preciso ver e ouvir sem pensar em nada. E é exatamente isto que transmite este broto de bambu saindo da terra, crescendo, abrindo seus ramos e expandindo seus rizomas... Vejam e curtam - BAMBOO DANCE
http://www.youtube.com/watch?v=dh77VFZtQn0&NR=1

Ene

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Muita água para os Bambus

Muita água para os Bambus
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011 - 09:45


Area de preparação para o novo lago(#3) e a interligação com os lagos #1 e #2
 Está se aproximando um período em que não há água que chegue para dar de beber aos bambus e às demais plantas que compõem o jardim de Bambus do Sítio Bamboofount de 1,5 hectares, hoje com cerca de 100 touceiras de bambu de 49 diferentes espécies, além de dezenas de outras plantas ornamentais.

Como na minha área não tem água passante, apenas um poço artesiano de 55m de profundidade, toda a alimentação dos lagos é feita por captação da água da chuva, num emaranhado de captadores e reservatórios que concorrem enchê-los.
Neste último final de semana concluí a abertura de mais um lago que irá formar, junto aos outros dois lagos já existentes, um conjunto de três reservatórios que somados, atingem o volume de, aproximadamente, 70000 litros.
Qualquer operação deste gênero é sempre traumática e deixa marcas profundas tais como, montanhas de terra a serem removidas, marcas de rodas da retroescavadeira e algumas plantas amassadas, em razão do espaço exíguo para movimentação de uma máquina deste porte, por dentre os bambus.

   
                    
Os lagos #1 e #2, que são mais antigos, são interligados com o #3(o que está sendo escavado) por desnível e concorrem para abastecer 3 reservatórios suspensos,  além de um captador subterrâneo de  concreto,  com capacidade de 12000 litros, que exclusivamente concentra a captação de água da chuva dos telhados.  A movimentação da água entre os lagos, dos valos de captação, a cisterna e os reservatórios é feita por duas bombas submersas (sem ruído) de alto desempenho, que movimentam mais de 8000 l/h cada uma, duas bombas pressurizadoras para acionar os bicos de aspersão e uma bomba de recalque.
Muita energia elétrica para dar água aos bambus!

     Continua outro dia...